domingo, 2 de janeiro de 2022

A JUBAÍBA NOS SEMINÁRIOS

 

FOTO 1 ‒ 1979 [i]: Da esquerda para a direita: Abraão, Renivaldo, Leandro, Nidoval [ii], João Félix, Loidimar [iii], Cosma, Janilene, Júnior e Vanda. Sete futuros pastores oriundos da Jubaíba, pois Júnior também ingressou na mesma causa.



1972–2022: Cinquentenário de organização da Jubaíba

1922–2022: Centenário de organização da Primeira Igreja Batista de Campina Grande

A JUBAÍBA NOS SEMINÁRIOS [i]

enivaldo ufino

A primeira metade de 1975 foi pura efervescência na vida da Juventude Batista da Paraíba. O que ocorreu foi tão sério quanto alguns outros momentos vividos pela organização desde sua conturbada gestação há apenas três anos. Parte da diretoria resolveu dar uma guinada na vida ao decidir sair de suas cidades, dos seus afazeres seculares e eclesiásticos, na busca de um novo desafio, de um novo destino. Ocupavam eles quatro cargos: presidência, vice-presidência, secretaria e diretoria de evangelismo. E toda essa avalanche ocorreu justamente num momento de grande desenvolvimento da organização e no meio do mandato, pois a diretoria fora eleita para o biênio 1974/1975. A saída dessas quatro pessoas geraria um grande desfalque que, por outro lado, a liderança resolveria com certa tranquilidade. O importante era que a Jubaíba não sofresse impacto no processo de continuidade. E assim aconteceu.

E o que ocorreu com esses jovens? No linguajar eclesiástico batista, eles se sentiram chamados para o ministério. Em outras palavras, deveriam largar tudo e se dirigirem a um seminário, para o devido preparo. Três deles escolheram o Seminário de Recife ‒ Renivaldo, Eliezer, Eli: presidente, vice-presidente e diretor de evangelismo ‒, e o quarto escolheu o Seminário do Rio de Janeiro ‒ Ademar, secretário.   

A ida ao Seminário era um momento muito mais complicado do que se possa imaginar. A decisão para fazer um curso superior de educação religiosa, música sacra ou teologia, terminava mexendo muito com a vida das pessoas envolvidas. Era até mais complexo do que se submeter a um vestibular e tentar ingressar na universidade, por conta de questões muito delicadas. A luta psicológica era intensa, a decisão a ser tomada geralmente passava por uma convicção de foro íntimo e sempre numa relação direta com a vontade da divindade. Alguns viviam essa experiência ainda muito jovens. Outros, nem tanto, como foi o caso do autor, que só chegou ao Seminário aos 28 anos de idade, já casado e com a esposa à espera do primeiro filho, que nasceu apenas um mês depois da chegada ao Seminário.

A experiência de chamada é diferente para cada um, envolvendo, inclusive, fortes emoções e mudanças estratégicas na própria vida. Mas há também alguns que não sentem tal chamada, mas apenas se convencem de que devem ir ao Seminário. O fato é que um terço da diretoria da Jubaíba abandonou a Paraíba para atender ao chamamento que entendia ser bem maior, conforme é dito em artigo anterior. Muitas coisas estavam em jogo numa hora dessas, quer em termos pessoais, quer em termos coletivos. E uma delas era justamente a convicção individual, que servia de base à tomada de decisão definitiva para assumir as novas mudanças. Alguns até se digladiavam consigo mesmos, numa luta feroz contra uma vontade às vezes relutante e até titubeante. O autor acompanhou de perto pelo menos três dessas lutas: a sua própria luta, a luta de Eliezer ‒ que foi o primeiro presidente da Jubaíba ‒, e a de Abraão ‒ que foi o terceiro presidente ‒, que só iria ao seminário alguns anos depois.

Era costume, na época, jovens da Jubaíba participarem de eventos fora da Paraíba. Certa ocasião foram convidados por Hélio Lourenço ‒ irmão carnal de Eliezer e pastor em Feira de Santana ‒, para um acampamento na Bahia. A luta que Eliezer travou ali foi tão intensa e decisiva, que o efeito se misturava às lágrimas de jovens que também torciam pela sua decisão. Abraão, por sua vez, passou por diversos testes antes do passo definitivo que o conduziria ao seminário e ao pastorado, inclusive em termos de cursos na universidade. Os três primeiros presidentes narram suas experiências em documentos entregues por ocasião do ingresso no Seminário, que foram resgatados agora, quarenta e dois e quarenta e seis anos depois, em pesquisa feita pelo autor para a composição deste texto [ii].

Um fato revelador e curioso ocorreu em 1973, quando a Jubaíba ainda não completara nem um ano de organização. O autor recebeu carta do então presidente da Jubaíba, Eliezer Lourenço, com data de 07 de março onde, a certa altura, escreve: “Ore por mim, eu estou disposto a atender à vontade de Deus em minha vida, e eu sinto que ele tem um ministério pra mim no seu reino, eu não sei qual é”. Aquilo mexeu muito com o então vice-presidente da Jubaíba. Mas o impacto foi cedendo pouco a pouco diante das correrias do dia a dia como dono de casa e futuro pai, e do envolvimento com o trabalho no banco, na igreja, na denominação e na própria Jubaíba [iii].

Mais de um ano depois da carta acima, em 25/03/1974, a Primeira Igreja Batista de Campina Grande começa a semana de oração pró Missões Mundiais. O alvo proposto era de Cr$ 1.000,00 (hum mil cruzeiros), o maior já decidido pela igreja até então. Naquela semana o autor começou a “sentir revoluções no seu interior”.

No final de semana ocorreria o clímax daquela forte experiência espiritual: “Não se sentia o mesmo durante o expediente no Banco. Parecia que estava fora de órbita”. Foi então que indagou, em oração: “Que queres de mim, Senhor?” Recebeu diversas mensagens por ocasião do seu aniversário no dia 29 de março. Pela sua ótica, todas as mensagens pareciam tocar no mesmo assunto com o qual estava envolvido. Porém, não ficou contente, e continuou com a mente conturbada, confusa e indecisa. À noite, depois de orar insistentemente, veio a convicção que entendeu como resposta divina, pois a voz interior lhe dizia: “Eu quero tua vida”. Chegou até a chorar, e o peso emocional foi amenizado.

No sábado à noite houve o Culto da Mocidade, com mensagem vocacional pelo pastor José Berlarmino do Monte, da Igreja Batista de Santa Rita, da qual fazia parte seu querido companheiro Eliezer. Foi um sermão inspirador. Naquele mesmo sábado à tarde, falou em uma reunião da mocidade sobre missões, dizendo que Deus queria muito mais que dinheiro, ele queria vidas. Foi uma mensagem para si mesmo. “Domingo lindo, de manhã ensolarada, na bela Campina Grande”. Após a dedicação das ofertas por cada classe, o alvo foi ultrapassado em mais de cem por cento. “Lá da frente, contempla os irmãos (ele era diretor da escola bíblica dominical). Contempla a... amada igreja. Faz apelo para que vidas se entreguem... Ninguém responde. Ninguém se movimenta”. Ocorre que o apelo era para si mesmo. “Com a voz embargada e sentindo grande emoção, começa a falar pausadamente (evitando chorar): Irmãos... esta semana... tive problemas com Deus. Eu... irei entregar minha vida para o serviço de Deus. Podem afirmar: Senhor, entregamos a ti nesta manhã esta oferta de dois mil cruzeiros e a vida do irmão Renivaldo”. Foi surpresa, alegria e choro naquele momento. Mas esse foi apenas um dos aspectos, porque depois teve de lutar consigo mesmo para decidir para que Seminário iria. Ainda pensou pedir demissão do banco e ir para o Seminário do Rio. Estava tão abalado emocionalmente, que nem cogitou que poderia pedir transferência, pois havia agência do Banco do Nordeste no Rio. Sua mãe foi sábia e não quis enfrentar o filho de frente, por isso resolveu apelar para que José Hilário, que era diretor do coral, tentasse convencê-lo de que aquele não era o melhor caminho. E ele o convenceu. Entretanto, ainda teve uma tremenda dificuldade para decidir se entraria no Seminário em 1975 ou no ano seguinte. Mas a convicção chegou tranquilamente numa manhã de domingo.

Muitas vidas foram inspiração e exemplo para tantas outras vidas, sobretudo para o que ocorreu naquele histórico ano de 1975. Foram marcantes nomes como os de Maria Betânia, Josoniel Fonseca, Tomaz Munguba, Billy Fallaw, Edward Trott, José Ednaldo Cavalcanti, José Britto Barros, o próprio José Belarmino, e outros. Quando indagado sobre o que destacaria do seu período como presidente da Jubaíba, Abrão Barbosa respondeu: “Um tempo de aprendizado de liderança, de comunhão, de conhecer irmãos em Cristo de outras cidades, de estar em Igrejas de várias regiões da Paraíba, além de participar de eventos de caráter regional e nacional. Foi também um tempo de estar sendo moldado para o exercício da missão que Deus tinha me chamado, o ministério pastoral”. Entretanto, bem antes dos “Vocacionados 75" [iv], Maria Betânia foi precursora, pois já ingressara no Seminário para fazer o bacharelado (1969-1973) e, depois, o mestrado em teologia (1974-1976). Conforme legenda em foto do álbum, seis foram para o Seminário de Recife, um para o Seminário do Rio, e uma moça para o então Seminário de Educadoras Cristãs, em Recife. Ao chegarem ao Seminário de Recife, encontraram mais um paraibano, Jairo. Sendo assim, essa primeira leva foi de nove pessoas, que correspondeu a mais do dobro dos que saíram das fileiras da diretoria da Jubaíba. Consta, ainda, o seguinte na legenda de outra foto do Álbum Histórico: “...e quantos jubaibanos ingressarão (nos Seminários) em 1976 e nos anos seguintes?” Esta pergunta merece uma resposta. Quem se habilita a registrar essa parte da história? [v] Posso dar o empurrão inicial, com uma lista sem maiores pretensões, mas com grande conteúdo oculto nas histórias individuais, incluindo aqueles nomes de 1975, lembrando que a grande precursora e inspiração nesse sentido foi Maria Betânia, oriunda da PIB de Campina Grande. Sendo assim, vamos lá, pela ordem alfabética, e sem a pretensão de citar todos os nomes: (1) Abraão; (2) Abraão Júnior; (3) Ademar; (4) Alberto; (5) Betânia; (6) Eli; (7) Eliezer; (8) Elizete; (9) Estêvam; (10) Gustavo; (11) Jairo; (12) João Félix; (13) Josebias (irmão carnal de Abraão); (14) Josué Elias; (15) Leandro; (16) Linaldo; (17) Loidimar; (18) Nidoval; (19) Paulo Faustino; (20) Renivaldo; (21) Walkíria Lucena. Solicito que continuem acrescentando nomes à relação, a fim de melhor registrar a lista de jubaibanas e jubaibanos que estudaram nos seminários espalhados pelo Brasil. E, ao comentarem neste Blog, lembrem-se de registrar seus nomes no final, a fim de identificar a pessoa responsável pelo comentário.


GALERIA DE FOTOS

FOTO 2 ‒ 1975: A querida Olga Silva aquece o pequeno grupo de jubaibanos, que de conjunto musical não tinha nada, enquanto as vozes dos componentes ressoam na antiga capela do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife, sendo, da esq./p.dir.: Paulinho, Estêvam, Eli, Jairo, Eliezer e Renivaldo. Esta foto está no álbum histórico.
FOTO 3 ‒ 1975: quatro jubaibanos e dois queridos colegas ladeiam o professor José Almeida Guimarães em intervalo de aula de filosofia. São eles, da esq./p.dir.: Eli, o maranhense Hamilton, hoje pastor em São Luís, MA, Renivaldo, o pernambucano Charles, Estêvam, hoje pastor em João Pessoa, PB, e Jairo.
FOTO 4 ‒ 1976: importante momento de conferências no Seminário, com orador internacional. Da esq./p.dir.: Jairo, Elizete, Eli, Jaubas, Cruzinha, Estêvam, o conferencista Téo, indiano, coordenador da juventude na Aliança Batista Mundial, Charles Dickson, Renivaldo, Eliezer, Olga e Paulo Faustino.
FOTO 5 ‒ 1976: três jubaibanos e uma jubaibana em viagem pelo Nordeste e Sudeste, como componentes do Coral Sinfônico do Seminário, sob a regência de Fred Spann: Elizete, Eli, Eliezer e Renivaldo.
FOTO 6 ‒ 1976: outro momento de intervalo na viagem do Sinfônico. Aparecem, nesta foto, uma jubaibana, Elizete, e três jubaibanos: Eli, Eliezer e Renivaldo.
FOTO 7 ‒ Novembro de 1979: o autor recebe o diploma de bacharel em teologia das mãos do Reitor dr. David Mein, no templo da Igreja Batista da Capunga. Na época, já como seminarista e convidado para o pastorado da Primeira Igreja Batista de Beberibe, em Recife, onde permaneceu até março de 1993. Exonerou-se para continuar os estudos, interrompidos em 1980 por conta da demanda na igreja, no seminário e no banco.
FOTO 8 ‒ Os três primeiros presidentes da Jubaíba (esq.p/dir.): Eliezer (1972/1973), Renivaldo (1974) e Abraão (1975).

FOTO 9 ‒ 08/12/1974: Depois de 46 anos o autor retornou ao Seminário Batista de Recife, dia 10/11/2021 como pesquisador, para uma tentativa que imaginou infrutífera por conta de tantos anos que já se passaram. Mas eis que por intermédio do querido professor Ramos André, que o encaminhou a Niege, que, por sua vez, solicitou autorização de Ronaldo Robson, coordenador acadêmico, a tentativa foi exitosa. E, através de Niege, responsável pela secretaria do STBNB, o milagre aconteceu, pois o autor já encontrou o material separado e à disposição para pesquisa. Graças à cooperação e tempestividade da simpática e eficiente funcionária, teve acesso aos registros pessoais dos três primeiros presidentes da Jubaíba, onde constam dados importantes para esta publicação, inclusive a experiência de chamada. Aqui, os dados do primeiro presidente, Eliezer Lourenço da Silva.




FOTO 10 ‒ 12/1974: Nas cinco laudas datilografadas, acima, constam as informações de “Conversão, chamada ao ministério e trabalho na causa de Deus” referentes ao segundo presidente da Jubaíba, José Renivaldo Rufino.

FOTO 11 ‒ 1979: O terceiro presidente da Jubaíba, Abraão Barbosa da Silva, cumpriu seu mandato em 1975, e só ingressou no Seminário quatro anos depois. Acima, seus dados pessoais e vocacionais requeridos pela instituição.


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NOTAS
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[i] A pesquisa, aqui, é delimitada apenas aos que foram ao Seminário na época dessa efervescência nos quadros da organização.

[ii] Em conversa com Ramos André sobre o desejo de ter acesso a esses documentos, já em 2021, o autor foi encaminhado a Niege, que trabalha na secretaria do Seminário, que, por sua vez, conseguiu a autorização do coordenador acadêmico Ronaldo Robson. E assim se teve acesso a esse material tão raro, tão importante, e que segue em fac-símile na galeria de fotos. Nossos agradecimentos a essas três pessoas tão importantes para a consecução deste artigo.  

[iii] Só para que se entenda a responsabilidade que recaía sobre os ombros de alguns desses jovens, em 1975 o autor desempenhava os seguintes cargos: 01) Funcionário do Banco do Nordeste, agência de Campina Grande, com oito horas diárias de expediente; 02) Presidente da Jubaíba; 03) Diretor de Rádio e Televisão do Departamento da Junta Estadual; 04) Primeiro Secretário da Primeira Igreja Batista de Campina Grande; 05) Diretor da Escola Bíblica Dominical; 06) Diretor do Departamento de Membros da igreja; 07) Participante do Coral da igreja.

[iv] Ver O Jornal Batista de 21/12/1975, p. 5.  

[v] O livro histórico e comemorativo lançado pela Primeira Igreja Batista de Campina Grande nos cem anos de sua organização já apresenta uma relação, mas o que pretendemos, aqui, é a relação de paraibanas e paraibanos, ou jubaibanos e jubaibanas, que estiveram nos seminários, até mesmo quem não seguiu a carreira ministerial, ou quem seguiu por um período, como é o caso do autor, que pastoreou apenas uma igreja durante treze anos: Primeira Igreja Batista de Beberibe, dezembro/1979 a março/1993.  


 NOTA DA FOTO 1

[i] O ano de 1979 marcou a chegada de Abraão Barbosa da Silva ao Seminário de Recife.

[ii] Nidoval morreu em 2021, em consequência da Covid-19.

[iii] José Loidimar Cavalcanti morreu em 30/12/2019, depois de uma enfermidade mais ou menos longa. 


segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

PAI HOMENAGEADO E COMPARTILHADO AOS 115 ANOS DO NASCIMENTO

 

1958 ‒ Arcoverde, PE: Nicoláu (53) ao lado de Maria (47), que se recupera de delicada cirurgia de vesícula, sob os cuidados do competente doutor Jennecy Ramos.


PAI HOMENAGEADO E COMPARTILHADO AOS 115 ANOS DO NASCIMENTO

Reginaldo Freire [1]

Nicolau Rufino dos Santos (06/12/1906-04/02/1966) comemoraria nesse encontro de dia e mês (06/12/2021 [2]), exatamente 115 anos. Prematuramente, o mal que o perseguia desde cedo terminou descartando da vida uma peça que fez muita falta à família. Estava com apenas 59 anos quando se afastou do seu posto, tão bem administrado enquanto viveu. 

Em vida, minha admiração por ele e pelas façanhas que passava à família, sempre no horário das ceias, era como um jornal de televisão, exceto pelas qualidades inigualáveis das narrações. Ao vivo, era uma repetição de caráter que mudava apenas no enredo dos casos. O lado pessoal, nem o tempo conseguiu desgastar uma vírgula sequer das suas confirmações. Com o tempo foi descoberto o seu conhecimento em áreas conquistadas. Era, na verdade, um autodidata, aprovado nas mais estranhas missões ocupadas.

Fiquei devendo o último abraço [3], pois partiu para sua eterna morada quando eu já havia partido há um ano para São Paulo, na busca de melhores ofertas de trabalho. A falta que ele fez só não foi maior porque não me passava pela cabeça que só o tempo traria a resposta. A resposta se encontra em parte das qualidades que herdamos dele. Concordâncias e discordâncias sempre tecendo médias, para que no final das equações saíssemos de braços dados confirmando um jeito especial de uma vitória duradora.

Para finalizar o que imagino sem fim, parabenizá-lo pelos 115 anos entre vida e morte, não faço ideia que expressões usar para preencher tão nobre sentimento. Pai, ainda estamos juntos reverenciando o espaço que poderia se dizer vazio, não fosse a união das lembranças em comunhão com a saudade. De todos, para um herói que ainda faz muita falta.

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Renivaldo Rufino

texto corrido [4] numa mistura de estilo do latim antigo e de josé saramago [5]

se como leandro karnal [6] eu fosse escrever para homenagear reclamar e agradecer a meu pai e minha mãe parte seria bem diferente do texto dele pois nasci e me criei em berço humilde em pleno sertão sem dias especiais nem mesmo aniversários dia de pai ou dia de mãe natal ou o que quer que seja aliás a bem da verdade só se tinha mesmo o mês de meu padim pade ciço que um dia foi comemorado pelo meu pai como quitação de uma promessa em uma viagem inesquecível à cidade de juazeiro justamente no misto em uma aventura que até hoje permanece em nossas mentes sobretudo pelo fato de que ele adoeceu quando lá estávamos e quando eu também tive a minha primeira experiência de petição à divindade ao avistar o nome deus em letras maiúsculas no cimo de uma igreja católica por outro lado e mesmo sem contar com tantos dias especiais tivemos um pai e u'a mãe que foram símbolos marcantes em nossa vida que deram tudo de si para sustentar com dignidade cinco filhos e uma única filha num grande conjunto formado de oito pessoas em que quatro deles os três últimos filhos e a filha só tiveram acesso aos estudos tardiamente mas apenas três deles e ela pois os outros dois e o pai já foram dar duro em cima de um caminhão misto rodando para lá e para cá a fim de angariar sustento para oito bocas enquanto a mãe também dava duro para manter a casa em ordem filhos e filha que também foram orientados por uma rígida disciplina coincidentemente mais dura da parte dela do que da parte dele que tiveram uma adolescência tranquila e sem traumas marcantes e cuja única grande herança que me sobrou a mim pelo menos foi um pequeno arremedo ou apito de madeira para chamar nambu na caatinga um desgastado exemplar do novo testamento e o saber de uma formação que foi apenas até ao final do curso ginasial na linda e pequena cidade de arcoverde pe mas um pai e u'a mãe cuja memória é relembrada com redobrado carinho devoção e profundo agradecimento por tudo de positivo e construtivo que legaram a essas seis vidas [7] que ainda hoje vivem lutando pela vida com muita garra determinação e alegria o mais velho com 85 e a mais nova com 73 anos de idade



[1] Esta é a segunda vez que compartilho este espaço do Blog com meu irmão Reginaldo Freire.

[2] As publicações no Blog saem aos primeiros domingos de cada mês, exceto esta em homenagem ao aniversário de nascimento de meu pai.

[3] Quando Nicoláu morreu, na casa de Raimundo, em Sertânia, Geraldo e Reginaldo já se encontravam tentando a vida em São Paulo.

[4] A cadência da leitura indicará, automaticamente, os locais dos sinais gráficos que estão ausentes. 

[5] Este texto foi publicado no meu Whatsapp em 08/08/2021, por ocasião do Dia dos Pais, porém não nesse formato. Quem já leu José Saramago conhece muito bem o seu estilo diferenciado. Quanto ao latim antigo, os caracteres eram todos em minúsculas, sem pontuações e sem sinais gráficos.

[6] Leandro Karnal escreveu um texto intitulado: “Todos os meus pais”. Foi a partir dele que me inspirei e produzi este artigo.

[7] Eis a relação completa da descendência imediata de Nicoláu Rufino e Maria Freire: (1) José Rufino Freire, ou Duza [20/09/1936], (2) Raimundo Rufino Freire, ou Mundinho [21/05/1938], (3) Geraldo Rufino Freire, ou Dadinho [06/07/1941], (4) Sebastião Reginaldo Rufino Freire, ou, originalmente, Reja, e Regi nos dias atuais [03/03/1943], (5) José Renivaldo Rufino, ou, originalmente, Rena, e, mais recentemente, Reni [29/03/1946] e (6) Luzia Maria Freire, ou Luza [14/11/1948]. Se Nicoláu viveu apenas 59 anos, Maria ultrapassou os 81. Os dois primeiros filhos também já atingiram e ultrapassaram os 81 anos.

domingo, 7 de novembro de 2021

ENCANTADORES ENCANTOS E DESENCANTOS NA TRAJETÓRIA DE LIA

 


FOTO 1 1958, Arcoverde, PE ‒ Maria Laura Freire Santos (10/11/1912‒25/07/1994, 81), Lia, aos 46 anos, com vestido costurado por Elizabete, que se tornou mãe de sua primeira e querida neta, Socorro, a quem ela mesma criou.


ESPAÇO COMPARTILHADO

enivaldo ufino

Minhas publicações neste Blog só se tornaram possíveis graças à ajuda do querido amigo e companheiro Marcos Monteiro. Grande incentivador, ele sempre esteve e continua presente em minha vida. Aproveito o momento para agradecer publicamente sua significativa colaboração.

Quem primeiro compartilhou este espaço comigo foi meu filho Joran Diniz Rufino, com o excelente artigo sobre seu filho Nicolas, dia 02/01/2021: “O menino, o mar e a divindade”. Hoje, este espaço se abre para dar acolhida a um texto produzido em 2012 pelo meu irmão Reginaldo Freire, por ocasião do centenário de nascimento de nossa mãe. Assim como fiz surpresa a Joran, assim também farei com Regi. Ao rever, revisar e arrumar o texto tanto tempo depois, eis que me veio à mente o título que trata dos encantadores encantos e desencantos na vida de Lia, apelido afetivo pelo qual Maria Laura era conhecida. Depois surgiu uma pergunta: e pode haver encantadores encantos nos desencantos? E logo veio a resposta um tanto simplista: os desencantos também têm seus encantos, talvez não tanto quanto os encantos do encanto, mas têm. Lia, ou Maria, talvez tenha tido mais desencantos que encantos em sua humilde trajetória de oitenta e um anos de vida. Isso, porém, não lhe tirou a alegria de viver, mesmo em situações extremas. Já na adolescência, lá do alto do sítio da Penha ‒ que pertencia a seu irmão Antônio Freire ‒, próximo à cidade de Sertânia, PE, o trinado de sua alegre e afinada voz era ouvido à distância. Assim como as alegres notas do canto, jamais ouvi uma nota de desencanto saída de sua boca. A situação poderia estar no limite, mas ela sempre ultrapassava esses limites com sua positiva visão da vida, e com sua postura de mulher guerreira ao lado do esposo e companheiro. Vamos, agora, às gratas recordações que estão nas lembranças do quarto e querido filho de Lia.     

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FOTO 2 2005 ‒ Reginaldo e Renivaldo em São Paulo, durante os dias em que este esteve envolvido com o doutorado de filosofia na USP.

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ENCANTADORES ENCANTOS E DESENCANTOS NA TRAJETÓRIA DE LIA [i]

Reginaldo Freire

Sítio Algodões [ii], Sertânia, PE, 10/11/1912. Guarulhos, SP, 10/11/2012. Se estivesse viva, estaria nossa mãe completando 100 anos nesta data.

Lia perdeu a mãe com apenas sete anos de idade. Tinha muitos lugares onde ficar. Todo o carinho que lhe foi podado na infância com a morte da mãe, teve de castigos em cada passo da trajetória, passando pelas casas dos seus irmãos. Ficamos sabendo, por ela mesma, que a menina Maria era tratada pelo afetuoso apelido de Lia. Sete anos, tão criança ainda, tão dependente do cuidado e carinho dos pais. Nessa idade, o filho está tão ligado à mãe, que no estudo dos sentimentos não tem como conjugar este verbo. No caso de Lia, era tudo separação, perda e dor. Debulhando as pegadas nos passos da sua caminhada, ficamos sabendo que muitas pedras caíram no seu caminho. Quem a maltratou, quem foi indiferente e quem lhe deu carinho. Ficamos sabendo disso tudo, contado por ela mesma.

Tomamos conhecimento de praticamente tudo sobre a vida e os sofrimentos da menina Lia. Ela mesma gostava de contar aos filhos e à filha sobre o sofrimento que passou ao longo da infância, assim como quem recebe uma dívida em longas prestações. Tinha que acordar muito cedo. Se passasse da hora, as chicotadas eram seu despertador. Criança gosta de dormir um pouco mais, exceto nas casas de parentes, principalmente quando perde a mãe. Imaginemos quão difícil era, pois em cada casa que passasse teria de se enquadrar ao sistema da casa. Para uma criança é muito complicado esse ritmo de vida. À medida que os anos iam passando, sua independência ia chegando. Sofreu muito com o excesso de ciúmes, sobretudo na passagem crítica da adolescência.

Sua escolaridade era praticamente zero [iii]. Ela nada nos falou sobre isso. Fico a pensar que ela pulava essa parte dos estudos devido à precariedade da vida que levava.

Bateu em muitas portas, viu muitas caras, teve pouca atenção, pouco carinho, muita crítica e muita cobrança. Porém, não desistiu, acreditou, até mesmo por falta de opção. Ela não teve sequer o direito de cair. Tinha que permanecer em pé e ser obediente à severa vigilância.

Como uma espécie de doutora sem doutorado ou psicoterapeuta sem diploma, ela tinha uma postura extremamente humana e solícita diante dos que a buscavam. Antes de qualquer remédio para o doente, uma boa conversa era repassada para ele. No raio das suas possibilidades, não media esforços e sempre conquistava novas vitórias.

Certa vez, pediu emprego para pai ao então governador de Pernambuco, dr. Etelvino Lins de Albuquerque. Tudo graças à amizade que fez com a família Lins de Albuquerque nos tempos da sua juventude em Sertânia. Seu pedido foi prontamente atendido: pai conseguiu uma vaga como fiscal do DNER, num trecho de estrada que estava em construção em Santa Maria, nas proximidades de Rio da Barra.

Bem antes disso, quando ainda só tinham dois filhos, José e Raimundo, evitou que pai voltasse da procura de emprego que fazia em Caroalina (vilarejo que pertence ao município de Sertânia). Por mera intuição, procurou pai, conversaram e resolveram ficar por lá. Tiveram muito sucesso (durante os dez anos que passaram por lá), geraram mais três filhos e uma filha, e foi aquela a melhor época de suas vidas.

Socialmente, representou muito bem o seu esposo, companheiro e amigo. Nessa época, já praticava seus conhecimentos junto às pessoas necessitadas. Um desses exemplos é o de uma pessoa que foi esfaqueada e ela cuidou do ferimento a tempo. Ela jamais levou um filho ao médico. Tratava tudo em casa. Quando não encontrava o remédio adequado nas bodegas da vila, usava ervas que existiam em abundância no mato.

Quando estava feliz, cantava sua alegria de viver como se fora um pássaro. Sua inspiração de vida no lar era a família muito bem constituída. Carinho e amor eram a base do cotidiano do casal e da família. Sentimos muito bem essa realidade nos dez anos que moramos no vilarejo de Caroalina, de 1939 a 1949. Àquela época nós vivemos num verdadeiro paraíso.

De Caroalina, o casal se mudou para o sítio da Ringideira, a 6 km de Monteiro, PB, onde deu tudo de si para levar avante o projeto com a terra e com as cerca de cinquenta criações que levara de Caroalina. Sem dinheiro, com seis filhos pequenos para criar, ela e ele foram testados na capacidade de sobrevivência em um ano extremamente seco. Somente hoje é que tenho uma pequena noção do sacrifício que os dois fizeram.

Na contribuição que dava à família, além dos afazeres do lar, contou muito sua arte de costureira. Costurava não apenas para casa, mas para fora, como se dizia na região, chegando a fazer alguns clientes. Além disso, foi companheira constante e atuante nas ideias que pai arquitetava para sair das crises. Na Ringideira, perdeu todas as mordomias que tinha em Caroalina. Teve que enfrentar todos os afazeres de casa, inclusive uma família numerosa, com alguns que ainda eram crianças. Foi firme nessa caminhada, jamais reclamou e deu o recado certinho até o fim da crise. Tinha um belo criatório de galinhas, com uma boa produção de ovos, e com uma boa quantidade de aves para abater, o que ajudava muito na manutenção da casa. Cozinhava muito bem, com um bom tempero, e fazia um bolo que ainda hoje é lembrado (e copiado): o inimitável chapéudecouro (também conhecido como bolo de caco). A sopa de feijão também não deixava nada a desejar [iv].

O primeiro ano na Ringideira foi de seca e perda total na agricultura, o que testou profundamente a resistência do casal. No cântico da minha mãe, era fácil entender a tristeza que passava. Nessa época, ela tinha por volta dos trinta e oito anos. Os cabelos negros e ondulados destacavam a beleza do seu rosto e dos olhos ainda com forte brilho. Chorava fácil, o que a enchia de ternura e sentimentos sem fim.

Hoje, sei que lá onde ela estiver não precisa mais de elogios. Como representante direto que sou, posso dizer que tudo serve para preencher o vazio que ela deixou nos nossos corações. Amei minha mãe e quero vê-la sempre linda na minha lembrança. Jamais se recompensa u’a mãe. É uma dívida natural que rola como nenhuma outra. Quando o filho pensa na mãe, sabe que será um eterno devedor dos cuidados e carinhos que recebeu.  Se não pode fazer mais por sua mãe, faça pela mãe dos seus filhos. Mãe sempre falava: “U’a mãe é para cem filhos, mas cem filhos não são para u’a mãe”.

Ela sonhava mudar para a cidade, para dar estudo aos filhos. Sofreu, demorou, mas conseguiu. Tudo porque acreditava. Hoje, estou tentando descrever um pouco dos seus sonhos, graças ao estudo que tive por conta do esforço que ela fez. É o fruto do estudo produzindo conhecimento e gratidão.

Sua visão era ampla, como um farol de alto alcance. Avistava longe e tinha iniciativa. Gostava de mudar. Estava sempre antenada, atenta. Nada escapava do seu universo, sem ser captado pelo seu radar de alta precisão. Era uma máquina de produzir ideias. Às vezes entrava em atrito com pai, no cruzamento dos reflexos. Nada que atrapalhasse o bom relacionamento dos dois. Sua capacidade de visão era abrangente. Quem quer que a procurasse iria encontrá-la sempre disposta e pronta para agir. Era bom ter uma mãe assim, exceto quando havia necessidade de enganá-la. Não sei se alguma vez conseguimos. Tudo era compensado pelo jeitinho que ela tinha de consolar o filho.

Ela foi certa vez à Sertânia e não me levou. Eu tinha por volta dos cinco ou seis anos. Lembro-me do desespero que fiquei. A falta e aquele clima de saudade que ficou na sua ausência me deixaram sem opções. Olhei em volta, peguei um vestido dela que estava num cabide e comecei a cheirá-lo. Era seu cheiro. O cheiro dela estava impregnado no vestido. Que falta que me fazia. Foi um santo remédio para amenizar a saudade, e também a grande falta que ela estava me fazendo. A reciprocidade entre mãe e filho é um elo que as palavras não conseguem explicar plenamente. O tamanho da falta que ela deixa quando sai se justifica na sua volta. Bastam um abraço, um cheiro e algumas palavras mágicas, que só as mães sabem dizer, para que tudo volte ao normal. Quando se diz que a mãe é tudo para o filho, não é exagero. Seria mágica? Pode ser.

A meninada estava na sala curtindo uma daquelas brincadeiras que só ela mesma entendia. O clima era de total descontração. Todos estavam atentos quando, de repente, mãe aparece na sala trajando uma roupa de pai: terno, gravata, chapéu e sapatos. A meninada ficou perplexa, de boca aberta, e quando caiu na real... a farra explodiu. Todos queriam abraçá-la. Rimos e nos divertimos bastante, contagiados pelo palhaço improvisado por ela.

Uma grande mãe é como uma colcha de retalhos. Compõe-se no tempo, com arranjos, pequenos pedaços de sacrifícios, contrastando com fagulhas de alegria, na composição da família. Mãe, fonte de versatilidade tentando atender às necessidades dos filhos em época de crises.

Certa vez, na hora do almoço na Ringideira, os cachorros acuaram um bicho atrás de casa e alguém gritou: “É um Teiú”. Mãe não pensou duas vezes. Pegou a espingarda, mirou não sei pra onde e largou fogo. Deu para ver a poeira que o chumbo provocou num formigueiro bem lá na frente. A cena foi tão engraçada que até esquecemos o Teiú.

Seguindo o rastro da crise, mãe precisava costurar uma roupa para Geraldo e Reginaldo. Como o dinheiro estava fraco para comprar o tecido, dois sacos de farinha do reino resolveram o problema. Os sacos foram descosturados, lavados, tingidos de vermelho (encarnado), passados, e assim estava o tecido pronto para a confecção das roupas. Até aí tudo bem, não fosse um cachorro que nosso tio João Tarciso possuía. Ele nos estranhou. Precisamos de reforço para entrar na casa. Nas aventuras e desventuras de um filho, sempre tem um dedinho da mãe.

Mãe costurava, bordava, fazia renda com bilros e até cortava o cabelo dos filhos. Nunca teve escola para esses fins. Orgulho-me da mãe que tive e, agora, tentando descrever pequena parte dos seus feitos, sinto muita saudade dela. Todo esse patrimônio que tenho guardado com muito carinho me ajudou bastante na composição do seu centenário de nascimento. Não é difícil reconhecer as fontes que me têm ajudado nessa tarefa. A minha gratidão e o prazer de dividir com todos a inspiração que documentou essas lembranças. Esse trabalho tinha que ser feito. Era como se fosse uma dívida que tinha comigo mesmo. Não importa a pobreza do vocabulário, a falta de prática na composição das frases e montagem do texto. Fiz a minha parte.

Como já citei, na verdade, a nossa mãe já não precisa mais de nada que foi descrito neste trabalho. A herança de sentimentos que ela deixou em cada filho se manifestou na gratidão de cada um. Tenho prazer de anexar esse trabalho do centenário de mãe ao de pai, como um reconhecimento da união que eles tiveram em vida.

Guarulhos, SP, domingo 23/06/2013, às 20h15.

GALERIA DE FOTOS


FOTO 3 1928 Sertânia, PE: Lia aos 16 anos de idade.


FOTO 4 1935 ‒ Monteiro, PB: Lia recém-casada, ao lado de Nicoláu, recebe a visita de parentes: três irmãos (Antônio, João [sentados], e Luiz Gonzaga), uma irmã (Auta Aurélia [sentada]) e duas sobrinhas (Olívia e Nacy).

FOTO 5 1945/1946 ‒ Caroalina, Sertânia, PE: Lia eternizada nos descendentes (da esq. p/dir.): Geraldo, Raimundo, Duza (José), Reginaldo e... Renivaldo na barriga. O lindo carneiro entra como mascote pertencente ao filho mais velho.

FOTO 1956 ‒ Arcoverde, PE: O patriarca Luiz Avelino Freire ladeado pelas filhas Auta Aurélia (1ª à direita), Lia (1ª à esquerda), pelo filho Pedro Freire e pela nora Luísa Líbia.

FOTO 7 1958 ‒ Arcoverde, PE: Lia se recupera de delicada cirurgia de vesícula, sob os cuidados do competente doutor Jennecy Ramos.


FOTO 8 1965 ‒ Caroalina, Sertânia, PE: Lia se sente orgulhosa ao lado do marido e da primeira neta, na casa construída com muito sacrifício no vilarejo de Caroalina, para onde se mudaram no primeiro de janeiro daquele ano.


FOTO 9 1972 ‒ Campina Grande, PB: Lia ao lado da única filha (Luza), do filho mais novo (Renivaldo) e da primeira neta (Socorro).


FOTO 10 1972 ‒ Campina Grande, PB: Lia ao lado de Luza, Socorro e Renivaldo.


FOTO 11 20/06/1973 ‒ Campina Grande, PB: Lia realizada com o casamento da única filha.


FOTO 12 26/01/1974 ‒ Recife, PE: Lia se faz presente ao casamento do filho mais novo, Renivaldo, e de Cosma.


FOTO 13 26/01/1974 ‒ Recife, PE: Lia é toda alegria e felicidade ao lado de Cosma e de dona Isabel.


FOTO 14 1974 ‒ Campina Grande, PB: Lia presente nos primeiros meses de gravidez de Cosma.


FOTO 15 1974 ‒ São Paulo, SP: Lia se tornou andarilha e viajou a São Paulo para visitar seus queridos. Aqui com Luza, Lula e a pequenina Luciana.


FOTO 16 26/01/1975 ‒ Campina Grande, PB: Lia na comemoração das Bodas de Algodão de Cosma e Renivaldo.


FOTO 17 1985 ‒ Campina Grande, PB ‒ Lia eternizada no neto e nas netas (da esq. p/dir.): Raquel, Joran (sentados), Myrtes, Luciana, Miriam e Cristiane.


FOTO 18 1990 ‒ Primeira Igreja Batista de Beberibe, Recife, PE: Lia entra de braços com o filho mais novo que completava dez anos de pastorado.


FOTO 19 1970 ‒ São Paulo, SP ‒ O autor do texto sobre Lia chegou a São Paulo em 1965, aos 22 anos de idade, onde se fixou até hoje.


FOTO 20 Data e local desconhecidos ‒ Lia em mais um momento encantador de sua trajetória.


FOTO 21 2005 ‒ O autor do texto sobre Lia, em momento de descontração em Caraguatatuba, SP, no apartamento da querida sobrinha Anilma Freire.


FOTO 22 1962 ‒ Arcoverde, PE: Essa saiu do forno agora. Reginaldo, aos 19 anos, aqui está ao lado de Rocha, colega no Tiro de Guerra 154. Local da foto: Fazenda Experimental.




[i] O título original do artigo foi dado pelo próprio autor, a saber: “O centenário da nossa mãe”.

[ii] Quando me veio a ideia de compartilhar o espaço deste Blog com a publicação do artigo de Regi, eu me perguntei a razão da inclusão de Algodões no texto, com o nome de “sítio”. Hoje, Algodões é um vilarejo, ou distrito, pertencente ao município de Sertânia. Para desfazer o nó, liguei para ele e procurei saber se mãe havia nascido lá, mas ele não soube responder. A meu ver, ela nasceu na cidade de Sertânia mesmo. Porém, diante desse registro, fica a dúvida se, de fato, em 1912 Algodões era apenas um sítio e nossa mãe nasceu lá. Para resolver esse impasse, só uma pesquisa nos cartórios da região.  

[iii] “Sua escolaridade era praticamente zero”, escreve Regi no seu texto. E isso é verdade. Mesmo com toda essa defasagem de alfabetização, já na fase madura Lia conseguiu ler a Bíblia praticamente toda, quando fixou residência em Campina Grande, com o filho mais novo, e aderiu à Primeira Igreja Batista. No acervo desse dito filho estão arquivadas uma grande quantidade de cartas escritas por ela. Pode-se dizer que, pelo esforço pessoal, ela se tornou uma espécie de autodidata. Ela que tanto lutou para que os filhos e a filha estudassem, não teve o mesmo privilégio.    

[iv] João Nepomuceno Freire (16.06.1946-17.06.2009, 63), seu querido sobrinho, filho de Daniel Freire, jamais se esqueceu de uma saborosíssima sopa que tomou na casa de Lia, quando ela residia em Sertânia.